terça-feira, 19 de abril de 2011

FILME DO INTERIOR BAIANO VAI PARAR EM CANNES

Macuco Notícias



O documentário "A Tragédia do Tamanduá", produzido em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, e inspirado no livro "O Anjo da Morte contra o Santo Lenho", de Isnara Pereira Ivo, será apresentado no Festival de Cannes deste ano, que acontece entre os dias 11 e 21 de maio. O filme retrata uma briga entre famílias em Belo Campo (microrregião de Conquista),  que começou com a morte de uma vaca e terminou com 20 homens mortos na Fazenda Tamanduá. Para o diretor George Neri, a obra é uma mistura de documentário com vídeo-arte. A produção foi rodada com recursos da Fundação Cultural da Bahia. O filme será apresentado no Short Film Corner, evento que acontece dentro de Cannes e reúne cineastas de todo o mundo com o objetivo de promover trocas de ideias.


Sinopse:

Filme que deseja reaver um fato histórico de impacto e relevância. Ocorrido no munícipio de Belo Campo, região Sudoeste da Bahia. Através de diversos olhares os contornos da tragédia são mostrados e os seus limites invadidos.(Trecho de reportagem sobre o "Tragédia do Tamanduá" que saiu na "Revista de História da Biblioteca Nacional")

"Parece roteiro de cinema, mas o caso aconteceu em 1895 onde hoje é Vitória da Conquista, região centro-sul da Bahia. E agora, acabou virando filme mesmo: "A Tragédia do Tamanduá" é um dos selecionados pelo projeto "26 Documentários de Territórios", do Instituto de Radiodifusão da Bahia.É mister dizer que não se trata apenas de uma tragédia encenada no passado, mas que seus espaço e tempo são construções em movimento constantes. Isso quer dizer, que embora possamos refletir a respeito de um fato - histórico ou não - passado, de nada adianta se não pudermos conectá-lo ao presente. Só falamos ou nos remetemos a um fato passado se ele estiver em clara conexão com o presente. Não sei se penso que por propensão genética ou por uma teleologia metafísica. Só sei que é isso que constato, e, tenho que admitir - não sem um pouco de peso -, que sinto instintivamente, quando ouço histórias de nossos antepassados.

Visto que esta tragédia aconteceu há pouco mais de cem anos, admito a materialidade - ainda por uma intuição instintiva (?) - das conexões feitas. Infelizmente, por fazer tão pouco tempo, e por ser ainda tão arraigadas as obrigações com que se cumprem certas convenções sociais, tenho que me precaver, e tentar precaver a todos aqueles que uniram-se ao processo de feitura desse documentário-ficcional (e que só tomou pra si tudo aquilo que era puramente experimental). Se de cárater experimental eu visto uma carapuça, logo todos poderão pensar que é só uma censura, ou ataque descontrolado. Mas se dela me aproprio, sentindo com o auxílio da experiência, sua construção passa ser então a única válvula de escape - legal, devo advertir. A arte a única forma de expressar-se; sem tombarmos mortos - necrosados pela espera infinita da morte -, ou abatermos o mal, esperando depois a morte junto à consciência. Nem matar nem morrer. Mostrar o espelho através do próprio espelho onde vimos refletidas nossas demoras. nossas demórias.. nossas demolidas memórias, e nossa história criada.


Hoje, dia 9, é o lançamento do documentário. Hoje também foi o enterro de um colega. Não podemos dizer o que aconteceu com ele. Quando foi encontrado estava desacordado. Passou 18 dias em coma e faleceu ontem. Ele era o único que poderia dizer algo.


Então digo que cresce, junto com a modernidade que vem pra cá, alarmantemente a violência. Que o crack, como em outras partes do Brasil, está arrasando com a reputação dos Caps que prestam ajuda, e matando inocentes e não-inocentes.
É deseperador ver de tão perto. É muito simples ser um retirante. Meus avós eram retirantes. Mas é mais difícil ficar e combater a fome com fome. É incrivelmente desolador estender a mão e a ajuda nunca chegar. É inapropriado, pra não dizer vergonhoso ver o modo como se comporta a política local. Que pensa que trazendo somente polícia especializada acabará (ou só então continuam a tentar nos ludibriar) com a desordem, miséria e exclusão social.

De modo experimental, penso, é o único modo de se fazer arte, pelo menos aqui. Diante de tantas adversidades, diante de costumes desencorajadores, temos que forçar as vistas para não fecharem de vez e forçar a boca a não se calar, às vezes.

É necessário ainda fazer da arte um caminho experimental para que ela se coloque acima de nossas próprias demandas pessoais, pra que ela não seja distorcida e invadida.   Por: Raudiney Amaral
     

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